Wednesday, June 04, 2003

Outro dia me falaram que o melhor, naquele momento, era mesmo manter a distância.
Tínhamos saído duas vezes, num período que terminaria em uma semana. No resto do ano, a tal distância impede o contato físico e atrapalha o virtual.
Como, então, o melhor seria a distância? Se ela existe 358 dias por ano e já me incomoda tanto?
Às vezes me sinto enganada.
Às vezes me sinto amada.
Às vezes tenho medo que ele tenha medo de mim.
De nós.
Às vezes, muita coisa passa pela minha cabeça.
Sempre eu não entendo, porque sempre ele está no meu coração.
E parece que nunca, nunca vai terminar.
Mas espero que comece um dia.

Monday, May 12, 2003

A simples proximidade da data em que embarco para o Brasil me dá bons calafrios na barriga. Não há nada como o lar, mesmo.
Morar fora do país é uma experiência fantástica, nos faz ver o quanto o mundo é grande em diferenças e semelhanças, o quanto as pessoas precisam da gente e nos ensinam. Quando mudei pra cá, não pensava em voltar. Dizia a muitos que jamais voltaria, apenas se fosse a passeio.
Mas o mundo gira, a vida dá voltas, e fico eu a pensar que não pertenço aos Estados Unidos, sou muito sangue quente pra isso. E que por mais problemas que temos no Brasil, ainda é minha terra mãe, e tendemos a ser mais flexíveis com os defeitos daquilo que amamos, com quem temos uma ligação sentimental forte.
É muito mais fácil colocar defeitos na mãe dos outros, sempre. Fria, capitalista, egocêntrica... e vem um filho e diz: mas minha casa funciona melhor que a sua!
E eu penso, é... mas e daí? A dele é limpinha, rica, organizada... mas à minha convido a todos e os recebo com alegria, sirvo comes e bebes e não me preocupo com o chão, coloco música e saio dançando.
Na minha casa bagunçada e caótica chamada Brasil, me divirto muito mais...

Wednesday, April 30, 2003

Tens razão. Acho que o tema "distância" acabou nos tornando mais distantes de nossa ferramenta.
Talvez não devêssemos ter um tema. Talvez apenas escrever, sobre nada, sobre tudo, sobre nós, os outros, quem vem, quem vai, seja algo mais fácil, que requeira menos raciocínio, facilitando e estimulando assim, nossa vinda mais freqüente.... Não??
Ou talvez....
Cartas.
Poderíamos trocar cartas entre nós. Como Griffin & Sabine, sem tanto romance, claro.
O que vocês acham?

Saudades,
sil

Tuesday, April 29, 2003

há muito não entrava aqui, confeso. pelo jeito, há muito não entram aqui. vocês e os outros. os outros, tão distantes de nós. aqui do lado mas com pouca sintonia. mas vocês...

o que terá acontecido. perdemos o embalo. erramos no tema. nos distanciamos das nossas semelhanças e preferimos explorar nossas diferenças? cada qual em seu blog. cada qual no seu assunto?

proponho outros temas então, já que fui eu que enfiei vocês nesta roubada de distância.

blogs de piada fazem sucesso.
blogs de músicas que achamos que entendemos a letra mas cantamos tudo do avesso.
blogs sobre cidades exóticas como o Rio de Janeiro ou Pirenópolis podem funcionar.
blogs sobre Miami... eu ficaria completamente fora.
blogs com histórias escabrosas que fazem a Ju rir por horas a fio (eu não saberia escrever assim, com tanto humor)
blogs com fofocas.
blogs com... listas!

aceito sugestões. ou vou inventar algo complicado e chato (?) de novo.



Thursday, April 24, 2003

"a luz só é direita no caminho curto entre a fusão e a confusão"
frase colhida como flor no campo do blog (http://www.usina.com/solo/) do grande Rene

na falta de uma boa frase vinda da minha cabeça-oca (ultimamente é assim que ela anda),
trouxe esta pra ca. na esperança de ficar mais perto de vocês.

Tuesday, April 22, 2003


Quisera o problema fosse geográfico, tantas vezes que a gente sente a distância dos outros. Quisera fosse sempre matéria de avião, trem ou carro. Quisera fosse um problema turístico ou de leis trabalhistas: poucas férias pra gente picar e emendar com feriados. A geografia não pode levar a culpa sozinha.

O problema da distância está nas almas escusas que sobrevoam rasantes o coração da gente.

E nos desalmados que ficam em terra.


Monday, April 21, 2003

O lance é andar de moto. Faz você pensar que está mais rápido do que deveria, pela sensação do vento na cara. Ao mesmo tempo, faz uma viagem de duas horas durar 5, o que nos obriga a curtir mais cada segundo.
Eu ainda estou em estado de choque ao ver que já passaram exatos 2 meses que fiz aniversário, e pouco mais de um ano que foi a Páscoa do ano passado. Ok, ridículo, óbvio. Mas a Páscoa do ano passado foi um marco em diversos pontos na minha vida, e me lembro como se fosse ontem. Por que o tempo insiste em voar? Será que somos nós que não sabemos aproveitá-lo como deveríamos ou é ele o impiedoso que escorre por nossas mãos?
Daqui a um mês irei pro Brasil. E fará um ano que fui, também. Irei numa situação completamente diferente da anterior, o que só mostra como o tempo corre sem parar e a vida continua mutante a cada segundo. Porque parece que foi ontem, mas nada é como antes.

Friday, April 11, 2003

Poesia
Drummond

"Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira."

Volta inspiração, volta.

peço desculpas. ando distante daqui. ando distante de mim. ando sumida de mim mesma.se vocês me acharem por aí, me avise para que eu me encontre. acho que o leminsky tinha um poema nesta linha. procurei e não encontrei. achei o que não queria. encontrei outros poemas, me perdi nas páginas e achei que não voltaria aqui. mas queria voltar. questão de honra escrever depois de tanto tempo. queria pegar o passo de novo. andar junto. andar lado a lado com vocês. agora chega. tenho que parar por aqui, mas deixo um leminski e volto já já.

Amor Bastante


quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante


um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Saturday, April 05, 2003

Sabe o que tá longe? O espaço entre um post e outro. Mea culpa também, claro. Tenho postado muito no meu e este ficou esquecidinho. Entro todo dia pra ver se uma das minhas amigas colocou novidades, mas nada.
O problema é o tema "distância". Às vezes (lê-se quase sempre) me sinto tão longe de tudo e de todos, que soa redundante tratar deste assunto.
Mas ao mesmo tempo, quando entro aqui e vejo que não estou sozinha, me dá um alívio sem par.
Tô querendo chegar mais perto daí do Brasil. Tá aumentando a vontade a cada dia, e estou feliz que a distância desta data esteja diminuindo enquanto teclo estas palavras.

Friday, March 28, 2003

"It's not that I'm afraid to die, I just don't want to be there when it happens.
(...)
And another thing. If there is a life after death and we all wind up in the same place - don't call me, I'll call you."
Without Feathers, Woody Allen

Taí, uma distância incomensurável para o que a vive. Porque só é conhecida quando se chega lá. E quando ele chega lá, já não tem consciência disso.
Só o resto, quem sobra, poderá dizer se este foi longe, tão jovem, ou se já foi tarde...

Wednesday, March 26, 2003

Olha o que eu achei:

A Lua (dizem os ingleses),
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando.


Fernando Pessoa, 14-11-1931

Mais Pessoa aqui.
A menor distância entre dois pontos é um reta.
Este é um daqueles postulados que nunca esqueci, junto a "o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos" e outros teoremas geométricos.
Sou este tipo de pessoa esquisita, que pensa nestas coisas durante um dia normal. Se estou andando em direção a determinado ponto, sempre me passa pela cabeça que caminho x seria a reta e y seria a curva, portanto mais longo.
E qual seria o caminho para o coração de uma pessoa? O caminho mais curto, reto, sem muitos malabarismos, ou o mais longo, tortuoso, conquistador? Tendo a achar que o mais longo tem seus méritos, e talvez a conquista e o conquistador o valorizem mais.
Só que às vezes ele é tão sinuoso que cansa, que perde o propósito e se desvirtua quando o objetivo está para ser atingido.
Não sei a resposta. Jesus diria "todos os caminhos levam ao Pai". E eu completaria "e todos, os que levam ao Pai, os que levam ao auto-conhecimento, os que levam à alma gêmea, têm pedrinhas, obstáculos, mas ainda água e árvores floridas, para que possamos sentir que a busca vale a pena".

Monday, March 24, 2003

lendo o post da sil (logo abaixo) lembrei da velha pergunta da criança sentada no banco de trás durante o percurso de uma viagem (leia-se por viagem um percurso longo, curto ou um passeio até a esquina. tudo é uma viagem para uma pequena criança sentada no banco de trás):
está longe pai?
ou então
está perto pai?
e ainda
está chegando pai?
até hoje acho que no fundo no fundo a criança gostaria sempre que a resposta fosse - sim, está longe meu filho - para que ele pudesse continuar apreciando a viagem, as pessoas nas ruas, as vaquinhas branquinhas ao longe, as placas de sinalização, os lanches que a mãe preparava. eu, pelo menos, fui desse tipo de criança.

uma vez fui com um grupo de amigos para Pirenópolis em uma viagem de carro de 1.200 Km. um casal levou dois filhos de 4 e 6 anos.
até hoje, quando a viagem começa a ficar um pouco mais demorada os dois perguntam: Pai, estamos indo para Pirenópolis?

Thursday, March 20, 2003

Com a cara assustada, a senhora de cabelos brancos e pó vermelho destacando as maçãs salientes pergunta ao marido:
- One hundred thousand miles away? Is it that far?
Ele sorria da cara de espanto da mulher.
- Yep. That far.
Não sei de que falavam. Mas a lua estava tão baixa, tão gorda e grande no mar, que pensei que estivesse mais perto que isso.
Eles voltaram os rostos ao grande astro novamente. Ela dizia:
- But it looks so close.
- Yep. You can have a piece if you want.
E uma nuvem escura cobriu com cuidado um pedaço daquele imenso queijo, entregando-o à velha senhora que agradeceu, beijando a face do seu marido como o fazia há 55 anos.
- That long?
- Yep. And it still makes me blush.

Tuesday, March 18, 2003

Dança e desenho - parte 2

Agora, em homenagem a mim mesma!

Bailarinas de Degas - além da sua síntese de assinatura das linhas do corpo feminino que é sempre linda de se ver, Degas frequentava aulas de ballet como observador constantemente porque sabia da riqueza artística desses ambientes, e com a graça branquinha, delicada, silenciosa dos passos das bailarinas pintava ou esboçava aquilo tudo que viraria obra de arte presa no tempo pra sempre mas contendo em si a rapidez, a destreza e a agilidade de cada pirueta!

Alguns Degas aqui - vale à pena!
Dança e desenho
Para Silvia.

Dançar é uma dessas atividades que à primeira vista pode parecer mais divertida para quem a pratica e, em menor escala, quem assiste fica entretido também.

Mas só à primeira vista.

Quem consegue vencer essa primeira barreira, essa injustiça misturada com a inveja da graça dos bailarinos, e observar mais um pouco, descobre a qualidade pictórica da dança. O corpo humano sozinho já é a mais linda obra de arte. Quem dança usa as linhas do próprio corpo para, no ar, desenhar o que experimenta com a música. Dessa forma traduz a música em desenhos fugazes ao mesmo tempo em que cria uma nova experiência do corpo em movimento gracioso, perfeito, alongando, retraindo e estirando essas magna-linhas.

Observar o corpo humano é sempre um prazer. E com a dança, vira uma arte também.

Monday, March 17, 2003

Hoje amanheci distante de mim mesma e por isso obriguei-me a distanciar-me dos meus. Esta obrigação foi quase uma reverência à distância que me surpreendeu quando despertei hoje de manhã.

Naquele estado taciturno, assustado, sem entender como durmo achando A e acordo sabendo Z. Não dei bola para nada nem ninguém, e me convidei a sentar-me comigo e falar sobre nosso relacionamento. Coisas de mulher. Foram alguns minutos de conversa silenciosa, telepática.
E me descobri voltando a gostar de mim porque achei que mereço. Achei que me esforcei muito e que tudo de errado que guardo comigo pode me deixar doente.
Dá câncer guardar lixo no corpo, mastigar tristeza, remoer rancor. Dá dor de estômago.

Dormi em paz esta noite, porque precisava. Era um sono curativo. Não afirmo que acordei saudável, mas a distância que me separava de mim esta manhã me fez ver quem eu sou com outros olhos, olhos de alguém que está conhecendo algo especial e quer entendê-lo melhor. Olhos respeitosos, debochando de tanta bobagem guardada, olhos de admiração pelos sonhos cravados, olhos curiosos de criança que está aprendendo a ler.

Acho que foi isso. Hoje de manhã, eu já não era míope. Consegui ler minha alma porque estava longe dela.
Quem bate?
Para Luana

A menina passa pela entrada da caverna. Grita lá dentro, pergunta por alguém. Deveria saber que cavernas são lugares esquisitos e de tudo pode sair de lá de dentro. Tudo mesmo. Lobo ou urso, marmota ou coelho, raposa, onça e leão. Mas logo chega a réplica: é o eco. Só o eco restou naquele buraco. O eco e o escuro.

Ela entra então. Eco é sinal seguro de solidão. Solidão é, às vezes, tudo o que se precisa pra penetrar na caverna escura da alma nossa mesma e ouvir lá de dentro o eco de si.

Grita por alguém, vem o eco convidativo. O eco é curioso. Às vezes, trás consigo até ressonâncias mais metálicas, mais rochosas, ou até aquosas, dando informações do que se esconde ali dentro. Mas é preciso ter atenção, solidão, paciência.

Entra e ouve o eco.

Mas fala baixinho agora, todas escutamos os ecos nesta toca. E como naquela tão sacada alegoria de Platão, nesta toca ecoa a vida lá de fora barulhenta, esquisita, povoada, real.

nossa. como vocês estão distantes hoje.

este blog está até fazendo eco. escrevo e as palavras batem no infinito da Internet e voltam borbulhantes para os meus ouvidos. grito. escreve. digito em alta velocidade mas vocês não aparecem.

assustei vocês com o meu post logo abaixo?

fui absurda demais, maluca demais, atrevida demais?

espero que não. para mim tudo faz tanto sentido. e é tudo tão desconexo. a vida é desconexa. temos que ser amáveis e amorosos enquanto o mundo nos agride. tentamos fazer poesia enquanto o mundo quer prosa, fatos, fotos.

queremos estar próximas, grudadas, ligadas, enquanto este vazio absoluto do blog em branco nos distancia.

escrevam!